Deus e outras coisas…

21 Janeiro, 2010

3º Domingo do Tempo Comum

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Raio de Sol

Aquilo que distingue um cristão de um não crente é a forma como ele enfrenta os problemas que lhe aparecem no dia a dia. Um cristão tem os mesmos problemas de todos os homens (às vezes até parece que são maiores) mas enfrenta-os de um forma bastante diferente, porque nele há uma força interior que o leva a ultrapassar essas dificuldades.

Os cristãos têm a consciência de que pertencem a um mesmo corpo, que é a Igreja, feita de todos os baptizados que vivem a sua fé; Igreja que tem como cabeça Jesus Cristo, formando assim o corpo místico de Jesus.

Assim o facto de se pertencer ao mesmo corpo leva-nos a interessarmo-nos pelo bem estar daqueles nossos irmãos que nos rodeiam: alegramo-nos quando eles se alegram, entristecemo-nos quando se entristecem como nos diz S. Paulo na primeira carta que escreveu aos Coríntios: Se um membro sofre todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele.

Mas esta alegria não é automática, é necessário partilhar verdadeiramente o Espírito que habita em todos, Espírito de amor que nasce do Amor entre o Pai e o Filho. Na verdade um cristão precisa de praticar a união entre todos os membros da Igreja praticando a união com o Pai, que é o mesmo para todos. Por isso dizemos todos os domingos. “Pai nosso”.

É por isso que o domingo é o dia da festa por excelência de todos os cristãos, porque nesse dia celebramos de um modo especial os mistérios da nossa libertação do pecado e da morte. Então podemos dizer como Neemias e Esdras: “Hoje é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus. Não vos entristeçais nem choreis.” Porque o Espírito Santo está connosco e nos diz que os problemas são passageiros; que a força de Deus e a confiança n’Ele nos dão força para nos libertarmos das cadeias que nos prendem.

É esta a mensagem central do Evangelho deste domingo: “O espírito do senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres.” Jesus diz simplesmente: “Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem das escrituras”.

Esta passagem continua hoje a cumprir-se, porque há muita gente que deixa que o Espírito actue nas suas pessoas e que vão por esse mundo fora anunciar a Boa Nova: aos pobres, aos infelizes, aos doentes, aos pecadores. Para que todos se possam verdadeiramente alegrar. Mas com uma alegria sobrenatural que enche a nossa alma de bem estar, de paz. E não uma alegria meramente externa que facilmente cai em desespero e ódio contra aqueles que nos rodeiam.

É por nós que Jesus age para cumprir a promessa divina. Dá-nos o seu Espírito para que o nosso coração se liberte dos seus egoísmos, para que os outros não se sintam mal no nosso coração, para que levemos aos pobres o apoio da nossa ajuda e da nossa partilha, aos cegos a luz da nossa amizade, para que hoje seja um dia de felicidade para aqueles e aquelas que encontrarmos. É a nossa missão de cristãos: que a Boa Nova tome corpo na nossa vida, para que a Palavra de Deus seja viva hoje!

Que o único Senhor, que deu a todos nós os mesmo Espírito, nos faça mais conscientes de que somos um único corpo, que tem de zelar pela felicidade mútua e verdadeira. Abandonemos as nossas guerrinhas pessoais e façamos festa, pois o Senhor ressuscitou. E com a sua ressurreição deu-nos a vida, que é a melhor razão para a alegria.

8 Janeiro, 2010

Festa do Baptismo do Senhor – Ano C

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Água da vida

Neste dia em que celebramos o baptismo do Senhor celebramos ao mesmo tempo a revelação de Deus como pai misericordioso, quando se ouve a sua voz depois do baptismo de Jesus: “Tu és o meu filho muito amado, em ti pus toda a minha complacência.” E estas palavras continuam a ter o mesmo significado para todos aqueles que se baptizam ainda hoje. Deus continua a revelar o seu amor aos homens de hoje, mesmo que eles pareçam cada vez mais afastados do Seu amor.

Este é o desafio que somos convidados a viver neste tempo: viver a fraternidade que nos foi transmitida por Jesus. Reparemos nas palavras de S. Pedro na casa de Cornélio, o primeiro pagão a receber o baptismo: “Deus não faz acepção de pessoas.” Com esta atitude a Igreja nascente tornou-se verdadeiramente universal, aberta a todas as pessoas, independentemente da sua raça e do seu nascimento.

Talvez seja tempo de fazermos um exame de consciência sobre a forma como estamos a dar testemunho da nossa fé, como estamos a anunciar o baptismo de salvação aos homens do mundo de hoje. Dizemos todos os dias que Deus veio salvar todos os homens, que ele quer que todos façam parte da sua família. Mas quais são as consequências para a nossa vida concreta?

Deus na sua bondade continua a chamar a todos para pertencerem a esta família divina, como ouvimos na primeira leitura: “Fui eu o Senhor que te chamei.” E para quê? Para que é que Deus se dá ao “trabalho” de nos chamar? De querer que sejamos nós a ter nas mãos o destino do mundo?

Porque somos da sua família, somo seus filhos, e Ele não é egoísta para guardar só para si a tarefa de tornar, recriar, as coisas boas, incluindo-nos a nós mesmos.

“Não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que fumega.” Diz o profeta Isaías. Esta frase deve-nos levar a pensar que não podemos fechar a torneira desta fonte do baptismo aos que têm sede, mesmo que parte da água escorra para a terra, alguma se aproveita. Se muitas pessoas não estão preparadas para receber o baptismo, ou para baptizar os seus filhos temos de encontrar uma maneira de os tornar conscientes disso, de os levar a descobrir este enlevo que Deus tem para cada um de nós. Não basta dizer não, temos de revelar o sentido do baptismo às pessoas. Mas isso só acontecerá quando tivermos plena consciência das nossas próprias limitações e que o verdadeiro trabalho da conversão dos corações é realizado pela graça de Deus.

Jesus foi baptizado já como adulto e consciente da sua tarefa no mundo: anunciar o Reino de Deus aos homens. Nós fomos baptizados em criança, sem termos consciência da nossa responsabilidade. Mas à medida que vamos crescendo também vamos tomando consciência do que somos e daquilo a que somos chamados. Assim como Jesus foi tomando consciência da sua missão ao longo do tempo.

Vamos então, nós que já fomos baptizados, tomar consciência da nossa missão no mundo, que é no fundo a mesma de Jesus: levar a todos os homens o reino de Deus, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do espírito Santo.

Casamento

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Uma das afirmações mais ridículas sobre a ligitimidade do casamento de pessoas do mesmo sexo é que no século passado também era proibido o casamento de pessoas de raças diferentes.

Mas esquecem-se que já no tempo de Alexandre Magno e também no tempo das descobertas eram permitidos, e até promovidos, casamentos de um homem e de uma mulher. Nunca uma sociedade sancionou como desejável e válido o casamento de pessoas do mesmo sexo.

O mesmo se passa com a poligamia, aceite em várias sociedades ao longo da história da humanidade, sociedades essas que nunca aceitaram o casamento de pessoas do mesmo sexo.

31 Dezembro, 2009

Dia Mundial da Paz

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Na Mensagem para o dia mundial da Paz (1 de Janeiro) deste ano, o papa bento XVI exorta os cristãos a preservarem a criação como caminho para alcançar a paz.

A mensagem em português está neste sítio.

30 Dezembro, 2009

Solenidade da Epifania do Senhor – Ano C

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Os Reis Magos

Celebramos neste domingo a Epifania de Jesus, que tradicionalmente é conhecido como o Dia de Reis, o dia em que terminam as festividades natalícias.

Este nome, epifania, significa revelação, e na verdade, o facto de três sábios de fora de Israel terem vindo adorar o Deus Menino é sinal de que o Messias é verdadeiramente universal. Esta noção da universalidade do Messias já tinha sido anunciada por Isaías quando escreve “As nações caminharão em direcção à tua luz” referindo-se a Jerusalém, como a cidade do futuro para a congregação de todos os homens porque nela está o Messias, a verdadeira luz do mundo.

De facto para que haja uma revelação tem de existir luz, que possa mostrar, iluminar o que está velado, escondido. Mais ainda: a revelação de que nos fala a Palavra de Deus não é apenas destinada a alguns eleitos, iluminados, mas é para todos, como diz S. Paulo aos Efésios: “Os gentios são admitidos à mesma herança”. Todos são chamados a conhecer e a receber a salvação. É por isso que nós próprios podemos celebrar o Natal, porque recebemos esta herança de conhecer o mistério de Deus e da Sua encarnação.

No entanto são necessárias algumas condições para tornar real e eficaz essa salvação. Os Reis Magos tiveram de saber ler os sinais do céu para saber que o rei do mundo, o rei universal, tinha nascido; tiveram de percorrer um longo e perigoso caminho para encontrar esse rei. É isso que Deus nos propõe: perceber os sinais dos tempos, sobretudo nesta época cheia de desafios não apenas para os cristãos mas para todos os homens, uma época em que o utilitarismo e o egoísmo, disfarçados de liberalismo (a nova doutrina reguladora da vida das pessoas) destroem os laços da comunidade e da sociedade, e até mesmo da civilização, único e verdadeiro espaço da sobrevivência humana.

Passados dois mil anos de fé cristã qual o caminho que temos de percorrer?

Certamente o nosso caminho é maior do que o dos Reis Magos, certamente tem também as suas armadilhas, mesmo de pessoas aparentemente bem intencionadas, como parecia ser Herodes, mas não podemos perder de vista a estrela, a luz que nos guia: Jesus, humilde e pobre, mas que foi e continua a ser a razão de viver de tantas pessoas, que por ele vão arriscando a vida, para que a luz continue a brilhar no mundo.

Hoje a Epifania de Jesus faz-se por nós próprios, somos nós a revelação do messias, somos nós a fotografia de Jesus, nem sempre uma cópia fiel do que ele é, muitas vezes somos um mero esboço, mas não podemos deixar de apresentar os traços fundamentais do seu retrato. E esses traços podem ser resumidos a dois: um traço vertical (que nos liga a deus) e outro horizontal (que nos liga como membros de uma mesma família), uma cruz, a nossa cruz, que levamos erguida para mostrar o mais, o positivo que é viver com Jesus em nós.

Quando encontraram o menino os magos ofereceram ouro, incenso e mirra, símbolos da realeza, divindade e humanidade de Jesus. E nós, o que oferecemos a Deus? Se tudo vem dele a única coisa que podemos dar-lhe é o nosso coração, um lugar onde ele pode residir, um lugar onde pode brilhar e assim pouco a pouco afastar as trevas que inundam o nosso mundo.

24 Dezembro, 2009

Festa da Sagrada Família – Ano C

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Uma família

Apesar da família ser o fundamento das sociedades: é nela que nascem novas vidas, é por meio dela que são formadas as gerações que continuam o trabalho iniciado há muitos anos atrás. No entanto hoje parece que esta instituição está prestes a desaparecer, pelo menos como a conhecemos: aumentam as tentativas de tornar como coisas normais e naturais as famílias monoparentais, ou constituídas por 2 elementos do mesmo sexo, provocando-se assim um desequilíbrio na educação dos filhos que podem ficar limitados por visões demasiado orientadas da vida.
Neste domingo, que tem por tema a família somos convidados a reflectir sobre o que nos dizem as leituras: o livro de Ben-Sirá, escrito 200 anos antes de Cristo é uma colectânea de conselhos da época, diz-nos que devemos honrar o pai e a mãe com a mesma importância como se fossem o próprio Deus. De facto os pais e as mães são os continuadores da obra criadora de Deus.

Mas a vida em família não é fácil: há sempre muitos problemas. Porque todas as pessoas são diferentes. Porque os pais não querem que os seus filhos cometam os erros que eles cometeram. Porque têm medo que façam asneiras que eles nunca fizeram. Os filhos querem ser independentes mas continuam a necessitar da família para os amparar na maior parte dos dias. O marido e a mulher, que prometeram fidelidade um ao outro, perdem o entusiasmo que tinham no princípio da vida de casados, porque deixam que a rotina se instale.

Por isso aparece S. Paulo a dizer-nos para nos suportarmos uns aos outros no amor. Porque só assim seguimos o exemplo de Cristo, que nos perdoou as nossas faltas. O amor entre os homens atinge o seu nível mais alto na família porque aí as pessoas estão mais próximas umas das outras, têm uma mesma herança, conhecem-se melhor, no bem e no mal.

Viver “em Cristo” implica fazer do amor a nossa referência fundamental e deixar que ele se manifeste em gestos concretos de bondade, de perdão, de compreensão, de respeito pelo outro, de partilha, de serviço. A nossa primeira responsabilidade vai para com aqueles que connosco partilham, de forma mais chegada, a vida do dia a dia (a nossa família). Esse amor, que deve revestir-nos sempre, traduz-se numa atenção contínua àquele que está ao nosso lado, às suas necessidades e preocupações, às suas alegrias e tristezas.

Mas não há famílias perfeitas, assim como não há homens perfeitos. Por isso nos deparamos com o Evangelho, que nos conta que Jesus, quando foi a primeira vez a Jerusalém ficou perdido três dias no templo, e quando os pais o encontraram a sua mãe censurou-o por os ter abandonado sem lhes dizer nada, mas com a resposta do filho entenderam que era tempo do seu filho descobrir o seu caminho, a sua vocação. E no entanto: “Jesus desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhe submisso.”

Os problemas só têm importância se nós os guardarmos para nós. A Família existe para que aquilo que nos apoquenta possa ser partilhado sem constrangimentos pois confiamos na Família. Vamos pois construir famílias melhores, de onde nasçam melhores pessoas, onde todos os seus membros se possam desenvolver, seguindo o seu próprio caminho e não aquele que nós gostaríamos de ter seguido e não podemos ou não conseguimos.

15 Dezembro, 2009

Sofonias 3, 12

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Deixarei subsistir no meio de ti um povo pobre e humilde; eles procurarão refúgio no nome do SENHOR.

14 Dezembro, 2009

4º Domingo do Advento – Ano C

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Paz? Amor?

Toda a gente diz que o Natal é uma época de paz e de amor. Mas será que é mesmo assim? Como é que as pessoas vivem os dias que antecedem esta festa: a correr para comprar os presentes para todos os membros da família, e não só; a correr para adquirir as últimas novidades; a correr para participar nas festas da empresa, da escola, de caridade, dos diversos familiares. Além disso somos assaltados por centenas de luzes e apelos à festa, envolvidos numa nuvem de vermelho, verde e branco.

Por vezes apetece-me nesta altura partir para uma ilha deserta, com um pequeno grupo de amigos que possa estar em paz, liberto das solicitações da nossa cultura moderna.

Este ano o dia de natal é logo a seguir ao 4º Domingo do advento, assim antes do grande dia a Palavra de Deus fala-nos de humildade, de simplicidade: ouvimos o profeta Miqueias dar a pista que permitirá aos Reis Magos descobrir onde podem encontrar o Menino que nasceu para os homens. Belém, a cidade da tribo mais pequena de Israel foi escolhida por isso mesmo: porque só na simplicidade se pode acolher o Deus Menino, ele que será a Paz. Por isso não poderia nascer das tribos mais poderosas, que sentem logo a atracção pelo governo das coisas da terra. Mas Deus prefere o coração dos homens, e as relações de amor que se vão construindo entre eles.

Essa relação de amor existente é o que leva Nossa Senhora a abandonar a sua casa para ir ajudar a sua prima Isabel, que estava grávida de João, que mais tarde seria conhecido como o Baptista. A mãe de Deus viajou incógnita, sem séquito, sem louvores, apesar de já trazer dentro de si o Filho de Deus, que preferiu chamar-se a si próprio “Filho do Homem”, fazendo-se tudo com todos.

Em toda esta história vemos que os homens quando se deixam guiar por Deus, quando reconhecem que a sua existência só tem verdadeiro sentido quando se faz a vontade do Criador, acabam por se elevar da própria e mera humanidade.

Então em vez de andarmos a correr para apresentar o Natal mais bonito àqueles que nos rodeiam, vamos procurar acolher este menino que nasce para todos os homens. Que possamos dizer como Isabel: “Donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu salvador?”

Na verdade nós não merecemos o Bem que recebemos, porque somos muito pequeninos e porque tantas vezes não queremos aceitar despojarmo-nos daquilo que é acessório: como os pinheiros de Natal, muito bonitos, muito ricos, mas que são postos no lixo depois do dia de Reis.

Lembremo-nos que não basta cumprir as normas se nos esquecemos aquilo que está verdadeiramente na origem das coisas: o Natal não são as festas, as prendas, os presépio e pinheiros. O Natal é imitarmos Jesus Cristo que nasceu humilde e pequenino para fazer o bem.

É isso que anuncia João no início do seu evangelho lido no dia de Natal: um Deus que se faz carne e habitou entre nós, suprema originalidade de Deus. A incarnação de Jesus significa a oferta que Deus faz à humanidade da vida em plenitude. Toda a obra de Jesus consistirá em capacitar o homem para a vida nova, a vida plena, a fim de que ele possa realizar em si mesmo o projecto de Deus – a semelhança com o Pai, o Amor tornado existência pessoal.

11 Dezembro, 2009

3º Domingo do Advento – ano C

Arquivado em: Homilia — catscout @ 10:42
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Alegria sem heróis

As pessoas dizem que nos dias de hoje já não há heróis. Que já não há ninguém que consiga realizar feitos gloriosos, como aqueles que os nossos antepassados conseguiram. Mas, se reparamos bem, ainda há muita gente que faz coisas extraordinárias, que ultrapassam a memória dos homens. Mas isso só se pode comprovar daqui a umas centenas de anos ou, pelo menos, daqui a umas dezenas de anos.

Mas nem só de heróis vive a história. Ela vive sobretudo daqueles personagens humildes que ajudam a construir o em que vivemos: Nuno Álvares Pereira não teria vencido a batalha de Aljubarrota se não fossem as centenas de soldados desconhecidos que lutaram ao seu lado; as grandes catedrais góticas foram construídas por homens humildes, muitos dos quais não chegaram a ver a sua obra acabada. Mas houve sempre algo que os uniu e que lhes deu forças para suplantarem as dificuldades das suas tarefas.

Também nesta época do advento esperamos alguém, que é a razão do nosso actuar. Como o diz na primeira leitura o profeta Sofonias: “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, como herói que te vem salvar.” O profeta diz isto para encorajar os judeus seus contemporâneos a lutarem contra os adversários, mantendo a fidelidade à sua Fé e à sua Lei, a manterem-se fieis à Aliança realizada com Deus.

Tem de haver sempre alguém que caminhe à frente de um grupo conduzindo-o ao seu destino. Esse é também membro do grupo, caminha com ele: são os que assim fazem que são os verdadeiros heróis.

É também isso que João Baptista vem afirmar aos seus contemporâneos, mesmo que o faça de uma maneira estranha para o tempo. No Evangelho deste dia vemos João Baptista, com muitas e diversas exortações, a anunciar ao povo a Boa Nova: a chegada do Messias por esses dias, que iria libertar os pobres das suas prisões não apenas físicas, mas sobretudo sociais.

Não são os pecadores que devem temer a vinda do Cristo Salvador e Redentor, mas sim o próprio pecado do qual se anuncia a libertação. Os pecadores devem alegrar-se porque para eles chegou a libertação daquela negra realidade que os mantém escravos.

Por isso a chegada do Messias, do Salvador, é razão suficiente para nos alegrarmos, pois ele nos mostrou que é possível vencer os verdadeiros inimigos: o pecado e a morte. Mas como diz S. Paulo na segunda leitura não basta confiar no senhor pois Ele não faz o trabalho por nós, é necessário a oração, para descobrirmos aquilo de que necessitamos verdadeiramente. E também para saber o que é que precisamos de fazer para ajudarmos verdadeiramente os nossos irmãos.

Neste domingo de alegria vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance por transmitirmos alegria aos nossos irmãos: a alegria de uma palavra amiga, de um conforto, de coisas pequenas mas verdadeiramente humanas. Para que no meio da agitação diária não nos sintamos perdidos, anónimos, solitários mas personagens importante, fundamentais e necessários da história, mesmo sem nos armarmos em heróis. Deus apenas nos pede que façamos qualquer coisa em concreto para manifestar ais justiça, mais generosidade, mais paz…

10 Dezembro, 2009

Aleluia

Arquivado em: Cultura — catscout @ 18:55
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Hoje encontrei a mais divertida apresentação do conhecido coral final do Messias de Handel, realizado pelos Monges Silenciosos.

Um Santo Natal para todos

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